Quando inicia-se a produção de cerveja artesanal em casa, geralmente segue-se receitas prontas e passos básicos. Um deles, muito comum é a utilização de leveduras secas. A informação básica é a de utilizar um pacote para 20 litros.

Na prática, quase sempre dá certo, até porque o nível de complexidade das primeiras receitas fabricadas em casa e a respectiva gravidade original geralmente são mais baixas.

Com experiências bem sucedidas e o fato de acertar muito mais que errar aferidos pelos resultados produzidos, as pessoas passam a incrementar mais as receitas, ousando nos estilos até que se deparar com cervejas cada vez mais complexas.

Nesse caminho, é comum que a fermentação comece então a demorar mais, e isso deixa as pessoas com uma pulga atrás da orelha, pois até então tudo dava certo e agora parece que algo não vai bem. A gravidade final já não atinge os níveis esperados e aí é normal buscar mais informações sobre por que está mais difícil agora.

O trabalho das leveduras dependem de sua capacidade de ação e de uma manipulação correta. Uma simples hidratação do fermento seco antes de inoculá-lo, por exemplo, já pode trazer uma melhor ativação e facilitar o processo de fermentação. 

Mas as cervejas mais alcoólicas apresentam mais desafios para uma fermentação adequada. No fundo sabe-se que pode-se usar mais um pacote de fermento, mas o custo não é muito atrativo. Lendo mais sobre o assunto e assistindo vídeos no YouTube, encontram-se alternativas interessantes par resolver esse problema. A possibilidade da utilização de um "Starter" é a mais comum. Mas como preparar um starter?

O starter consiste em preparar um meio adequado para que as leveduras possam se propagar e agir de forma mais eficiente na fermentação da cerveja. É feito à partir de uma pequena quantidade de mosto (1 a 2 litros) podem ser suficientes. Mas para se fazer um bom starter é necessário oxigená-lo durante 24 horas. Utiliza-se um "stir plate" ou no português, um agitador magnético. É um aparelho em que se coloca o recipiente com o starter em cima, um erlenmyer é mais indicado, aí joga-se uma pequena isca magnética dentro e ao ligar o aparelho, essa isca passa a girar formando um redemoinho permanente no líquido. Essa agitação permite em 24 horas a oxigenação adequada para a propagação das leveduras.

O custo de um agitador magnético no Brasil está em torno de R$250,00, sabendo-se então que não é uma solução tão acessível, há outras formas alternativas, que embora menos eficientes produzem um bom resultado.

Alguns canais no YouTube, como o Cerveja Fácil do Leandro e o Fabrikar Cerveja Caseira – Fabrikar com “K” tá gente, Do Marcelo Fenoll mostram passo a passo o princípio e como fazer um starter dessa forma, método que o Leandro chamou de "Starter de Pobre". Ele é feito em uma garrafa PET e agitação braçal de 02 em 02 horas durante 24 horas.

Após fazer essa experiência, retratada no vídeo de nosso canal (link abaixo), constatou-se um excelente resultado. Usou-se um pacote de fermento US-05 da Fermentis para a fermentação de uma Russian Imperial Stout e atingiu-se a gravidade final esperada. 

Na realidade esse método alternativo não é obra do acaso, ele foi estudado pelo Bioquímico Chris White, especialista em fermentação e que escreveu possivelmente o livro mais popular sobre o assunto. É também o criador e CEO da White Labs, a fábrica do fermento líquido mais conhecida hoje. Chris White cita essa possibilidade de agitar o starter para oxigená-lo e promover a propagação do fermento. O bacana é que ele testou e verificou a eficiência, que embora menor do que com a utilização do agitador magnétio, é maior do que não chacoalhar/agitar o mosto, o que ele chamou de método do "shaking".

O Starter é feito então a partir de um mini mosto onde inocularemos o fermento para que ele possa se propagar num determinado período, geralmente 24 horas. Usa-se até por ser bem mais prático, o DME – Extrato de Malte em Pó, para fazer o mini mosto. Pode-se também fazer uma pequena brassagem ou mesmo aproveitar o mosto congelado de outras brassagens.

Nessa experiência preparou-se um pequeno mosto com 300 gramas de malte pilsen. Para tanto aqueceu-se cerca de 1,8 litros de água a 70 graus e depois jogou o malte moído. Tampou-se a panela e deixou por 1 hora para sacarificação. Após esse período foi realizado uma fervura de 1 hora, resfriado, transferido para uma garrafa PET. Dentro dessa inoculou-se o fermento, fechou com a tampinha, e agitou para oxigenar por alguns minutos´(02 ou 03 são suficientes). Nesse procedimento, já gera gás, então desenrosca-se um pouco a tampa, para deixar eliminar o gás, pode apertar levemente a garrafa para permitir a renovação de oxigênio e depois enrosque-a sem forçá-la. Esse procedimento de agitação deverá ser repetido a cada 02 horas durante 24 horas.